Ser pai ou mãe muda as rotinas diárias da noite para o dia. Mas o que é que isso muda realmente no trabalho?
Para descobrir, a Kickresume inquiriu 1.022 pessoas em todo o mundo, incluindo pais e não pais, no âmbito do seu inquérito «Paternidade e Produtividade».
Nesta parte do inquérito, focámo-nos especificamente nos pais e perguntámos como é que ter filhos mudou a sua abordagem ao equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, quais as partes do seu dia de trabalho mais afetadas, se a sua produtividade mudou e quais as competências desenvolvidas através da parentalidade que se transferem para o local de trabalho.
Aqui está um resumo das principais conclusões:
- 38% dos pais dizem que a sua produtividade aumentou depois de terem filhos, enquanto 28% relatam uma diminuição. No total, 72% dizem que a sua produtividade não diminuiu.
- Na Ásia, os ganhos de produtividade são ainda mais pronunciados, com 45% a referir um aumento.
- 36% dizem que se tornaram mais focados na eficiência no trabalho desde que se tornaram pais — a mudança mais comum no equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Na Europa, este valor sobe para 45%.
- 39% dizem que as manhãs são a parte mais afetada do seu dia de trabalho e, entre os pais da Geração Z, esse número sobe para 49%.
- 25% identificam a gestão do tempo como a principal competência desenvolvida através da parentalidade que os ajuda no trabalho, seguida da multitarefa (17%) e da capacidade de se manterem organizados num caos controlado (17%).
- 41% das mães dizem que aplicam frequentemente competências parentais no trabalho, em comparação com 26% dos pais.
- No geral, 76% dos pais dizem que usam competências parentais para melhorar o trabalho em equipa, pelo menos ocasionalmente.
A produtividade não desce depois de teres filhos — 38% dizem mesmo que aumentou
Uma das suposições mais comuns sobre a parentalidade e o trabalho é que a produtividade é afetada negativamente. Os dados não corroboram totalmente essa ideia.
Quando questionados se tornar-se pai ou mãe afetou a sua produtividade no trabalho, 38% dos pais dizem que a sua produtividade aumentou, enquanto 28% relatam uma diminuição. Os restantes 34% dizem que a paternidade não fez diferença.
Eis como se dividem as respostas:
- 16% dizem que a produtividade aumentou significativamente
- 22% dizem que aumentou ligeiramente
- 34% dizem que não houve alteração
- 25% dizem que diminuiu ligeiramente
- 3% dizem que diminuiu significativamente
Por outras palavras, quase três quartos (72%) dos pais não viram a sua produtividade diminuir depois de se tornarem pais.

As diferenças regionais acrescentam mais uma dimensão ao quadro:
- Na Ásia, 45% dizem que a produtividade aumentou — a percentagem mais alta de todas as regiões.
- Na Europa, 42% referem um aumento da produtividade, o que também supera claramente as quedas registadas (25%).
- Os EUA destacam-se na direção oposta: 32% relatam uma diminuição da produtividade, em comparação com 25% que relatam um aumento.
Este contraste pode refletir diferenças estruturais mais amplas. Em comparação com grande parte da Europa, os EUA oferecem licenças parentais mais curtas ou não remuneradas e custos mais elevados com cuidados infantis, o que pode tornar o regresso ao trabalho mais exigente. Na Europa, políticas de licença mais longas e sistemas públicos de cuidados infantis mais robustos podem ajudar — o que se alinha com a percentagem mais elevada de pais que relatam um aumento da produtividade. A Ásia apresenta uma percentagem ainda maior de ganhos de produtividade relatados, onde o apoio à guarda de crianças por parte da família é frequentemente mais comum, o que pode atenuar a pressão diária de conciliar o trabalho e a parentalidade.
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As diferenças de género revelam uma experiência mais desigual:
- Entre os homens, 38% relatam um aumento da produtividade e 26% relatam uma diminuição.
- Entre as mulheres, as respostas estão divididas de forma equilibrada — 35% relatam um aumento e 35% uma diminuição.
Os resultados mostram que a maioria dos pais não sofre uma queda — mas uma minoria substancial sofre. Para muitos pais, a produtividade mantém-se estável. Para uma parte significativa, até melhora. Ao mesmo tempo, mais de um quarto relata um declínio.
Depois dos filhos, o trabalho divide-se em três direções: eficiência, horários mais longos e limites mais rígidos
Ser pai ou mãe muda a forma como as pessoas encaram o trabalho — mas não numa única direção.
No geral, 36% dos pais dizem que estão mais focados na eficiência no trabalho, tornando-se a resposta mais comum. Ao mesmo tempo, quase a mesma quantidade diz que a paternidade reformulou as suas prioridades de maneiras opostas: alguns trabalham mais horas, outros protegem o tempo com a família de forma mais deliberada.
Aqui está a análise completa:
- 36% dizem que estão mais focados na eficiência no trabalho
- 30% dão prioridade ao tempo com a família em detrimento do trabalho
- 28% dizem que trabalham mais horas para sustentar a família
- 6% não relatam nenhuma mudança notável

As diferenças regionais tornam essa mudança ainda mais evidente.
Na Europa, quase metade dos pais (45%) diz que se tornou mais focada na eficiência — a percentagem mais elevada de todas as regiões — enquanto apenas 16% dizem que trabalham mais horas. Em contrapartida, na Ásia, 29% dizem que trabalham mais horas, e nos EUA, 25% fazem o mesmo.
A divisão geracional é ainda mais acentuada. Entre os pais da Geração Z, 40% dizem que trabalham mais horas — significativamente mais do que os Millennials (29%) ou a Geração X (26%).
Ao mesmo tempo, apenas 22% dos pais da Geração Z dizem que dão prioridade ao tempo com a família em detrimento do trabalho — a percentagem mais baixa entre todas as gerações. Isto pode refletir a fase da carreira. Os pais da Geração Z tendem a estar numa fase inicial da carreira, com menos antiguidade e estabilidade financeira, o que pode fazer com que as horas de trabalho mais longas pareçam necessárias enquanto constroem a segurança tanto profissional como familiar.
As gerações mais velhas, a Geração Y e a Geração X, mostram uma divisão mais equilibrada. Cerca de 30% em ambos os grupos dão prioridade ao tempo com a família (31% e 30%), e uma percentagem semelhante refere um aumento da eficiência (36% e 37%).
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No conjunto, os dados mostram que a paternidade não leva toda a gente na mesma direção. Para muitos, aumenta a eficiência. Para outros — especialmente os pais mais jovens — aumenta a intensidade do trabalho. E para uma parte significativa, cria limites mais rígidos em torno do tempo com a família.
As manhãs são as mais afetadas — especialmente para os pais da Geração Z
A parentalidade não perturba o dia de trabalho de forma uniforme. Para a maioria dos pais, a pressão surge logo pela manhã.
No geral, 39% dos pais dizem que a rotina matinal é a parte mais afetada do seu dia de trabalho — mais do que qualquer outro período do dia.
Eis a análise completa:
- 39% dizem que as manhãs / os preparativos para o trabalho são os mais afetados
- 31% dizem que são as noites / o horário após o trabalho
- 25% dizem que é a flexibilidade do horário de trabalho em geral
- 6% dizem que a hora do almoço / pausas ao meio-dia

Este padrão torna-se mais visível entre os pais mais jovens.
Quase metade dos pais da Geração Z (49%) diz que as manhãs são a parte do dia mais perturbada — um valor significativamente mais alto do que a dos Millennials (44%) e, especialmente, da Geração X (29%).
A Geração X mostra o padrão oposto. Em vez das manhãs, 38% dizem que as noites são as mais afetadas — a percentagem mais elevada entre todas as gerações. Em comparação com a Geração Z, os pais mais velhos parecem sentir mais repercussões no horário pós-trabalho.
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As diferenças regionais também se destacam:
- Na Ásia, as manhãs são as mais afetadas para 46% dos pais — acima da média global.
- Nos EUA, o impacto está mais uniformemente distribuído, com 33% a referir as manhãs e 33% a referir a flexibilidade do horário de trabalho.
- Na Europa, as manhãs e as noites estão empatadas com 35% cada, sugerindo um impacto mais distribuído ao longo do dia.
Os dados sugerem que as pressões da parentalidade se fazem sentir logo de manhã — especialmente para os pais mais jovens — enquanto os pais mais velhos são mais propensos a sentir o impacto mais tarde no dia.
A gestão do tempo lidera a lista de competências que os pais trazem para o trabalho
Quando os pais refletem sobre o que ganharam ao criar os filhos, não apontam para a negociação ou a delegação. Apontam para o tempo.
No geral, 25% dos pais dizem que a gestão do tempo é a competência parental que mais os ajudou no trabalho — mais do que qualquer outra opção.
As principais competências que os pais destacam são todas altamente práticas:
- Gestão do tempo: 25%
- Manter-se organizado num caos controlado: 17%
- Multitarefa: 17%
- Gestão do stress: 12%
- Paciência: 11%
Estas respostas concentram-se na execução: conciliar prioridades, lidar com a pressão e manter as coisas a avançar apesar das interrupções.

O que fica em posições mais baixas também é digno de nota.
- Adaptabilidade/flexibilidade: 4%
- Inteligência emocional: 3%
- Gestão de crises: 3%
- Delegação: 1%
- Criatividade: 1%
Em vez de destacar traços clássicos de liderança, os pais apontam, na maioria das vezes, competências que os ajudam a lidar com a complexidade e a manter-se organizados em situações em rápida mudança.
41% das mães aplicam frequentemente competências parentais no trabalho — em comparação com 26% dos pais
A parentalidade não se limita a remodelar os hábitos de trabalho individuais. Para muitos, também muda a forma como colaboram.
A diferença entre os sexos é impressionante.
Entre as mulheres, 41% dizem que usam frequentemente as experiências ou competências parentais para melhorar o trabalho em equipa no trabalho. Entre os homens, esse número cai para 26%.
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No geral, porém, a grande maioria dos pais diz usar competências parentais em contextos profissionais, pelo menos ocasionalmente.
Eis a análise completa:
- 30% dizem que aplicam frequentemente competências parentais no trabalho
- 46% dizem que o fazem ocasionalmente
- 19% dizem que raramente
- 5% dizem que nunca
No total, 76% dos pais dizem que aplicam as suas competências parentais no trabalho em equipa, pelo menos de vez em quando.

As diferenças regionais acrescentam outra dimensão:
- Na Ásia, 37% dizem que aplicam frequentemente as competências parentais — a percentagem mais elevada a nível global.
- Nos EUA, 29% dizem que o fazem frequentemente e 50% ocasionalmente.
- Na Europa, apenas 22% dizem que o fazem frequentemente e 9% dizem que nunca o fazem — a taxa mais elevada de «nunca» entre as regiões.
Os dados sugerem que, para a maioria dos pais, as lições da parentalidade não ficam em casa. Para muitos — e especialmente para as mães —, isso passa a fazer parte da forma como abordam a colaboração no trabalho.
Considerações finais: O que muda no trabalho depois de se tornar pai ou mãe
No seu conjunto, os resultados do inquérito oferecem uma imagem mais clara de como a parentalidade molda o trabalho.
A produtividade não diminui automaticamente. 38% dos pais relatam um aumento da produtividade, enquanto 34% dizem que se manteve igual. Apenas 28% relatam uma diminuição.
Os hábitos de trabalho mudam de forma mensurável. 36% dizem que se tornaram mais focados na eficiência, enquanto 30% dão mais prioridade ao tempo com a família e 28% dizem que trabalham mais horas. Apenas 6% relatam nenhuma mudança perceptível.
O impacto também se reflete nas rotinas diárias. 39% dizem que as manhãs são a parte mais afetada do seu dia de trabalho e, entre os pais da Geração Z, esse número sobe para 49%.
E a parentalidade não fica em casa. 76% dizem que usam competências parentais no trabalho pelo menos ocasionalmente, incluindo 41% das mães que dizem fazê-lo frequentemente, em comparação com 26% dos pais.
Em suma, os dados mostram uma adaptação, em vez de um declínio.
A parentalidade muda a forma como o trabalho é organizado, priorizado e gerido — mas, para a maioria dos pais, não reduz o rendimento global.
Dados demográficos
Função
- Pai/mãe: 55%
- Sem filhos: 45%
Género
- Homens: 70%
- Mulher: 30%
- Não binário ou outro: <1%
Idade
- Menores de 18 anos: 2%
- 18–28: 25%
- 29–44: 48%
- 45–60: 24%
- 61–79: 1%
- 79 ou mais: <1%
Local
- África: 12%
- Ásia: 24%
- Austrália/Oceânia: 1%
- Europa: 29%
- América Latina: 10%
- América do Norte: 24% (87% nos EUA)
Nota
Este inquérito online anónimo da Kickresume, realizado entre janeiro e fevereiro de 2026, recolheu opiniões de 1.022 inquiridos em todo o mundo. Todos os participantes foram contactados através da base de dados interna da Kickresume.
Sobre a Kickresume
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