Se tens uma entrevista de emprego marcada, anotar ideias importantes e planear o que dizer pode parecer suficiente. Mas, o que dizes (ou não dizes) com a tua linguagem corporal pode ser tão importante quanto, se não mais.
Para ajudá-lo a se sair bem na sua próxima entrevista, fizemos uma parceria com o especialista em linguagem corporal Dr. Vadim Subbotin. Além do seu trabalho como académico e pesquisador em universidades, incluindo a Universidade Ben-Gurion do Negev, em Israel, ele tem mais de 20 anos de experiência como psicólogo organizacional, aplicando os seus conhecimentos à dinâmica do local de trabalho.
Pedimos a ele que explicasse como gestos comuns podem ser interpretados, dando dicas do que fazer e não fazer para quem está à procura de emprego e ajudando a entender o que o entrevistador pode estar a sentir.
Aqui está um resumo rápido dos principais pontos:
- Uma linguagem corporal fechada pode fazer com que pareça menos amigável e confiante.
- Os gestos e expressões ao redor da boca são particularmente importantes porque olhamos muito para essa área do rosto durante uma conversa.
- O contacto visual é um equilíbrio delicado, e o excesso pode ser tão desagradável quanto a falta dele.
- Um entrevistador que apoia a cabeça numa mão pode estar a sentir-se mais positivo do que um que apoia a cabeça nas duas mãos.
O corpo: estes gestos podem diminuir as tuas hipóteses na próxima entrevista

Pedimos ao Dr. Vadim Subbotin para escolher 5 gestos comuns que podem prejudicá-lo numa entrevista de emprego. Desde parecer entediado até parecer irritado, todos esses são sinais que você não quer enviar.
Em primeiro lugar, mexer-se constantemente ou bater com os dedos na mesa pode, infelizmente, dar a impressão de que estás aborrecido com a entrevista. Também pode fazer-te parecer impaciente ou frustrado, se estiveres a mexer-te enquanto o entrevistador faz perguntas ou partilha informações sobre a empresa contigo.
Talvez ainda pior do que parecer entediado, cerrar os punhos pode fazer com que pareças frustrado ou até mesmo irritado. Uma pesquisa da American Psychological Association mostrou que as pessoas tendem a cerrar os punhos quando se sentem ameaçadas, o que significa que fazer um esforço para manter os gestos das mãos relaxados pode ajudar a deixar todos à vontade.
Por último, cruzar as pernas quando estás sentado é muito comum, mas também pode dar ao teu entrevistador a impressão de que és fechado, protetor ou até mesmo defensivo. Além disso, cruzar os braços sobre o peito pode passar a mesma impressão.
O rosto: cobrir a boca ou morder os lábios = má impressão
Vários gestos que o Dr. Subbotin recomendou evitar envolvem a boca. Expressões que envolvem movimento dos lábios podem revelar o que estás a sentir em menos de um segundo, e a linguagem corporal em torno da boca é muito semelhante.
Cobrir a boca pode ser um sinal de que estás a esconder uma reação emocional. Isso pode ser algo a lembrar se te fizerem uma pergunta potencialmente difícil na entrevista, como por que deixaste a tua última empresa.
O psicólogo também partilhou que morder os lábios pode sugerir que estás ansioso, preocupado ou stressado, por isso, se quiseres parecer calmo e controlado, pode ser útil evitar completamente esse gesto.
Uma linguagem corporal amigável pode ser a chave (mas não exagere)!

Mas quais são alguns dos gestos não verbais que podem ajudar-nos a passar a imagem que queremos?
Aqui estão alguns exemplos de linguagem corporal que, segundo o Dr. Subbotin, podem fazer as pessoas parecerem mais confiantes e relaxadas:
- Uma postura aberta, quando não tens os braços ou as pernas cruzados ou a cobrir a parte da frente do teu corpo
- Manter a cabeça erguida
- Ficar em pé, com as mãos ao lado do corpo
Gesticular com as mãos, com as palmas para cima, é outro exemplo de linguagem corporal aberta e amigável. Isso pode ajudar a ilustrar um ponto de forma confiante, sem ser agressivo.
Pesquisas sugerem que mostrar uma linguagem corporal confiante pode ajudar a sentir-se mais confiante também. Outro estudo da Universidade Estadual de Iowa descobriu que posturas em que se faz pequeno, ou «posturas contraídas», podem até estar ligadas a níveis mais elevados do hormônio do stress cortisol.
Deve procurar manter o contacto visual durante aproximadamente 50% do tempo enquanto fala e 70% do tempo enquanto ouve, de acordo com o Dr. Subbotin. Demasiado contacto visual pode parecer ameaçador ou demasiado intenso, mas a quantidade certa dá a ideia de que está interessado e atento. As pessoas que mantêm o contacto visual enquanto falam podem ser vistas como mais confiantes e sinceras.
Se o sorriso do teu entrevistador não chegar aos olhos, ele pode não ficar impressionado

É natural tentar adivinhar o que o entrevistador está a pensar ou como se sente em relação a ti. Podes estar a encontrá-lo pela primeira ou segunda vez, então é natural que seja mais difícil interpretá-lo do que alguém que conheces bem. Pedimos ao Dr. Subbotin para explicar o que cinco gestos comuns podem significar quando feitos pelo teu entrevistador.
Se ele estiver a apoiar a cabeça numa das mãos, o psicólogo disse que isso pode indicar que ele está interessado no que tu tens a dizer — mas ambas as mãos podem sugerir mais cansaço ou tédio.
Se o entrevistador que estás a tentar impressionar estiver inclinado na tua direção, esse é outro sinal de interesse. Ele pode estar entusiasmado e animado com as tuas ideias.
Embora sorrir seja geralmente um ótimo sinal, um sorriso que não chega aos olhos pode indicar que a reação positiva do teu entrevistador não é genuína. Pode haver muitas razões pelas quais ele pode te dar um sorriso educado em vez do que é conhecido como «sorriso de Duchenne» (aquele que ilumina os olhos) — ele pode estar cansado após um longo dia de entrevistas. No entanto, isso também pode significar que ele não está impressionado com as tuas ideias.
Por último, piscar rapidamente pode indicar que a pessoa com quem estás a ter uma reunião está desconfortável. Estudos demonstraram que piscamos mais rapidamente quando nos sentimos nervosos ou stressados. Portanto, se não tens a certeza se estás a dar-te bem com o teu entrevistador e achas que ele pode estar a sentir-se estranho ou desconfortável, isso pode ser um sinal.
Pratique a sua linguagem corporal no espelho (mesmo que pareça ridículo)
Aqui estão algumas dicas importantes que o Dr. Subbotin partilhou connosco sobre como praticar uma linguagem corporal confiante e amigável antes da tua próxima entrevista:
- Pratique o seu discurso ou apresentação em frente ao espelho para que possa observar gestos nervosos e garantir que se sente bem preparado.
- Embora a próxima dica possa deixá-lo um pouco nervoso, ela pode ser decisiva: grave-se enquanto fala, seja para si mesmo ou para um amigo. Depois, assista ao vídeo e avalie as emoções que está transmitindo. Pense nas expressões ou gestos que você poderia mudar para causar uma impressão diferente.
Considerações finais
O Dr. Subbotin disse que, embora a linguagem corporal possa dar-te ótimas dicas sobre como estás a passar ou o que alguém pode estar a sentir, nunca deves tirar um único gesto fora do contexto. Braços cruzados podem significar que o teu entrevistador está fechado, mas também podem significar apenas que ele está com frio!
Outra coisa a considerar é que a linguagem corporal das pessoas pode variar dependendo de vários fatores, incluindo de onde elas vêm. Portanto, tenta olhar para o quadro geral — o que os gestos, expressões faciais e linguagem corporal geral dizem, quando olhas para tudo isso em conjunto?
No geral, estar ciente de como os gestos comuns podem ser interpretados é uma ótima ferramenta que pode ajudar-te a apresentar-te da melhor maneira possível na tua próxima entrevista. Uma linguagem corporal confiante, expressões faciais e contacto visual podem ajudar-te a causar uma ótima impressão — e também podes usar esse conhecimento para entender como o teu entrevistador está a sentir-se.
Nota
A Kickresume conversou com o especialista em linguagem corporal e acadêmico de psicologia Dr. Vadim Subbotin ao longo de janeiro de 2025. Com formação em psicologia experimental, ele já trabalhou como pesquisador em várias universidades, incluindo a Universidade Ben-Gurion do Negev, em Israel. Ele também tem 24 anos de experiência como consultor e pesquisador na área de psicologia organizacional, aplicando teorias e princípios científicos para ajudar as empresas a melhorar o seu desempenho e as relações com os funcionários.
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